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quarta-feira, 28 de julho de 2021

Lembrança do Sebo do Vicente


  O famigerado Sebo do Vicente

 

Eis um dos registros mais icônicos de minha mocidade. Estava com meus amigos no famigerado Sebo do Vicente, o único da pequena cidade de Queimados, na Baixada Fluminense, interior do Rio de Janeiro. Pela foto, fica a impressão de que nós dopamos o senhorzinho e saqueamos o lugar. Se foi essa a intenção zombeteira do fotógrafo, deu certo. Mas o senhor dorminhoco não era o Vicente - aliás, eu não faço ideia de quem era.

Esse era, com toda a certeza, um dos sebos mais undergrounds do Rio de Janeiro. Primeiro pela desorganização claustrofóbica que, como se pode ver, era ímpar. Segundo pelo fato esquisito de que o Vicente também vendia, no sebo, temperos variados, de modo que o lugar era infestado pelo cheiro de orégano. E terceiro pelo fato de que Vicente, extremamente cordial, costumeiramente oferecia café enquanto lia uma Playboy antiga e comentava os pentelhos da Cláudia Raia.

Apesar das bizarrices, o sebo deu bons frutos. Acreditem ou não, um de nós comprou o clássico Laranja Mecânica por uns cinco reais lá. Eu consegui uma coletânea do Will Durant, meu historiador preferido, por uma pechincha; além de muitos quadrinhos no formatinho.

Isso foi há quantos anos? Dez, doze? Tempo demais. Parece até coisa de outra vida...

Argumentos são discutíveis, opiniões não...

  Com frequência maior do que considero saudável, reparo — em discussões e pretensos debates — colocações e posturas que, para dizer a verda...